O BIBA OFIR já está ao rubro, prometendo grandes noites neste Verão. Esta não é propriamente uma novidade. Ano após ano, milhares e milhares entram no mítico espaço para viverem as festas organizadas pela discoteca. Um percurso histórico que tem um cunho pessoal e um nome incontornável: Filipe Gonçalves. Ele está no GRUPO Pacha há 17 anos, assumindo há vários a gerência e gestão do espaço BIBA OFIR & FIESTA CUBANA.
Após o seu aniversário, Filipe falou à Vivacena falou dos desafios que enfrenta e fez connosco um percurso pela memória, até aos tempos em que apanhava copos, de forma gratuita, na casa por amizade aos proprietários. “Comecei a trabalhar no Pacha há 17 anos. Tudo começou pela amizade de infância que tinha com, aquela que é actual esposa do proprietário, e com quem vinha cá muitas vezes”, recorda. Na altura, por esta ligação de amizade, sempre ajudei o Pacha no que fosse preciso. Lembro-me que cheguei mesmo a apanhar copos quando era necessário, de forma voluntária”.
A sua boa vontade deu nas vistas e o seu trabalho acabou por ser reconhecido, acabando por ser mesmo contratado. “A minha primeira função dentro do Pacha foi como caixa. Depois passei para barman e fui subindo nas funções até à actual de gerente”. Um percurso que, para Filipe Gonçalves, “foi positiva pois foi-lhe abrindo horizontes, lançou-lhe novos desafios e maior liberdade para agir”, mas que acima de tudo se revela hoje fundamental para as suas funções como responsável pelo espaço. “Para mandar é preciso saber e na noite é preciso saber um pouco de todas as áreas. Tem que se ser humilde e estar em qualquer área que seja preciso ajudar, seja ela a de light-joker, porta ou mesmo das relações públicas que também o faço por vezes”.
Por outro lado, este acumular de experiências repercute-se também ao nível humano e na relação com os colaboradores: “Sei a realidade das coisas, sei o que pesa cada cargo e sei dar valor a cada um deles. Toda a gente é importante, desde o apanha copos ao DJ, passando pelo porteiro”, garante, Filipe Gonçalves, salientando que “uma casa não se constrói só pela música ou pelo nome. O conteúdo que está dentro da casa em todas as suas vertentes são muito importantes” e por isso “se eu tiver conhecimento do todo sei gerir melhor o espaço e lidar melhor com as situações que vão surgindo”.
Filipe Gonçalves considera que a função lhe proporciona imensos desafios diários. Mas aquele que o obriga a maior atenção é a gestão: “A noite já não é o que era há alguns anos atrás. Tem uma gestão muito bem pensada, em que nenhum pormenor escapa, querendo que ela seja extremamente profissional, com qualidade, e simpatia. Não houve grande inflação de preços para os clientes neste desenrolar de anos (no tempo do escudo um uísque custava mil escudos, hoje cinco euros, uma cerveja 500 escudos, hoje 2,5 euros, por exemplo) mas para nós a matéria prima é cara e esta gestão tem que ser feita rigorosamente”, revela.
Quase duas décadas depois de ter começado a trabalhar na noite, Filipe Gonçalves encontra diferenças substanciais. As noites não são melhores nem piores, mas sim diferentes. “Há 17 anos havia muito menos discotecas, e os que as tinham eram realmente grandes empresários e que sabiam lidar bem com a noite. Hoje qualquer pessoa que tenha um pouco de dinheiro envolve-se na noite sem ter conhecimentos para tal”. Por isso provavelmente a noite tinha “mais glamour e menos álcool e ofertas”. As pessoas, recorda, “saiam para a noite com exigência que hoje não se sente tanto.
Para sair à noite hoje em dia qualquer indumentária serve, antigamente era-se muito mais rigoroso”. Mas são diferenças apenas porque, pelo que vai conhecendo de espaços na Europa, “a noite portuguesa tem qualidade”. Com 17 anos de experiências acumuladas são muitas as sensações e recordações que Filipe Gonçalves vai acumulando. “Lembro-me que entre as minhas festas preferidas estavam as Flower-Power, hoje em desuso, mas que eu adorava trabalhar. Tínhamos casas de seis a sete mil pessoas e que, na sua grande maioria, aderiam a festa vindo com roupas próprias e pinturas faciais. Vendíamos merchandising hippie, por exemplo. Creio que eram festas carismáticas”.
Outra festa que está no top das suas preferências é a “Noite Branca”, pois “dá gosto decorar o espaço, visto ser eu também responsável por essa área. Gosto que a decoração tenha o meu toque e para mim essa noite é fantástica pelos pormenores que colocámos no espaço”.
Mas se estas estão na memória, muitas outras irão surgir seguramente. Até porque a emoção fica ao rubro, em Filipe Gonçalves, quando aposta numa festa temática com temas criados por si. “Fico com receio de não funcionar e ver, no fim da noite, que aquilo que foi feito trouxe mais gente do que o previsto e que aderiram ao meu tema é fantástico”.